sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aqui dentro

1 comentários


Aqui dentro

A janela banhada de azul
Claro, belo, cru
Os olhos fitos no céu
Calados, verdes, pares
Lá no alto, bem lá no alto, passa algo
Flutua, se move, dança
Bate as asas, eriça as penas
Aqui dentro tudo imóvel
Quieto, lento, vazio
O relógio avisa: meio-dia
Os girassóis na parede sorriem
Mas aqui dentro ainda é tudo imóvel
O vento areja os pensamentos

Leila Claudia Braga

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gripe Suína

3 comentários



Não se fala em outra coisa, já há alguns meses, e o que todos imaginávamos que não chegaria no Brasil, acabou nos surpreendendo. A gripe suína chegou, embora esse termo seja 'mal empregado'... então vamos lá, falemos da Influenza A (H1N1).
Até eu já estou começando a ficar com medo dessa gripe. Qualquer um tossindo, espirrando, ou levando as mãos levemente a boca, já nos fazem entrar em alerta e prender a respiração. Além disso os álcools gel para as mãos estão em falta... logo agora que descobri que o meu já passou da validade.
A aula mais recente da faculdade foi sobre 'biosegurança' (ou algum nome semelhante) e os cuidados que devemos ter dentro do hospital. Agora sempre que lavo as mãos faço todos os malabarismos aprendidos, cinco vezes cada um, como manda o figurino. Será que está ajudando? Desse jeito não vou mais poder reclamar quando brincarem que eu sou que nem o Monk.
Hoje soube que as aulas serão paralisadas (para mim pararão as aulas, para os outros cursos apenas férias prolongadas) devido a Influenza A.
Mais duas semanas de descanso (!!!), embora o motivo não seja nada alegre.

domingo, 19 de julho de 2009

O caçador de borboletas

0 comentários

Esta é a primeira crônica de "Livro Aberto", de Fernando Sabino. Ganhei da minha mãe, no Natal do ano passado, mas só consegui começá-lo esta semana, já que a lista de livros que o precedia era um pouco extensa.
O livro é composto por diversas crônicas, cartas, discursos de agradecimento, ensaios sobre literatura e relatos do autor, divididos ao longo dos anos de sua vida.
Inicia-se com o agradecimento do autor ao receber o prêmio Machado de Assis, pela Academia Brasileira de Letras. Esse tipo de coisa nunca me chamou a atenção, sempre pulo essas leituras e prossigo atrás dos contos, mas no caso do Sabino... Até o que para mim seria totalmente banal pode se tornar uma leitura interessante.

"O caçador de borboletas" foi escrito em 1939, quando o autor tinha apenas 15 anos! Ao mesmo tempo que acho o máximo, bate uma certa revolta... O que eu fiz nos meus 15 anos??? Certamente não foi escrever uma crônica tão boa quanto a do Sabino.
Recomendo a crônica e o livro, assim como qualquer outro do Sabino.
Aí vai um fragmento, porque não dá mesmo pra me conter depois de elogiar.

"(...) - Pois então me diga, seu pardal de meia-tigela: o que você queria que eu fizesse?
- Que me deixasse voltar para o seu ombro - disse ele timidamente.
- E daí? Pensa então que a vida é só comer alpiste, não é? Pois está muito enganado. Me diga uma coisa: você com certeza já andou se engraçando aí com alguma... alguma...
- ...pardoca - ensinou ele, piscando os olhos, malicioso.
- Pois bem, você tem lá a sua pardoca, que viver com ela, fazer para vocês dois um ninho no galho de uma árvore qualquer. Constituir família, tornar-se um pardal de bem. E lá um belo dia percebe que a pardoca nem liga para você, que não o ama como dantes...
- Quem é esse Dantes?
- Ora, vá sambar no brejo! Estou falando sério. O que você fazia? O que é que você fazia se desconfiasse que ela já estava de olho noutro e querendo apenas se divertir à sua custa? Então não chorava? Não arranjava um meio de se vingar?
- Não. Arranjava outra pardoca.
E veio caminhando pelo meu braço, até se achar no ombro outra vez.
- Para o diabo você e suas pardocas, seu bígamo sem-vergonha. Não vê que isso não resolve? É ela que quero, e mais ninguém. Qual, passarinho, esse negócio de viver não é mais comigo. Acabo dando um tiro na cabeça.
- Na cabeça dela?
- Na minha, seu bobalhão. Caçador de borboletas... E você? Passarinho sabe amar? Qual, você não pode entender. Nem você nem ela me entendem. São diferentes de mim. Você é um passarinho e ela, leviana como uma borboleta. Não sentirão jamais esse tédio, esse fastio de vida como já sinto.
- Que Jacinto?
Não suportei mais. Levei a mão ao ombro para atirá-lo longe, mas ele levantou vôo. Deu a volta no quarto e foi pousar na minha janela, asinhas abertas, pronto para ir embora.(...)"
O caçador de borboletas - Fernando Sabino

SIGA

1 comentários


Cuidado! Esse nome pode causar efeitos colaterais quando proferido, tais como: fortes dores de cabeça, tensão muscular, sintomas de exaustão, desânimo, vontade de socar qualquer coisa, ou qualquer outro ato violento, e na melhor das hipóteses, uma cara amarrada.
SIGA, conhecido de todos os que cursam quaisquer um dos milhares de cursos da UFRJ, e que sofrem, semestralmente, com a abominável semana de inscrição em disciplinas.
Até o terceiro período da minha faculdade não sabia o que era isso... os bons e velhos 'papel e caneta' (alguém se lembra deles?) ainda eram usados na Fonoaudiologia. Era simples: ir ao fundão (que embora não fosse lá a viagem mais divertida do mundo, funcionava), preencher dois papéis com as disciplinas do período, entregar na mão da coordenadora, e puf! Você estava inscrito! Sem precisar perder madrugadas, na tentativa de acessar a intranet.



Essa última semana foi um tanto desesperadora, com certeza não apenas para mim. Perdi algumas tardes, manhãs e noites, entrando no site do SIGA e colocando, por diversas vezes meu cpf e senha...(se ainda não os havia decorado, agora os sei até de trás pra frente!).
Há sempre alguém com algum macete, tentando ajudar "é simples, aperta F5 sempre que der algum erro", "sistema congestionado, né? Espera e entra de novo!", "Ahhh deu isso? Então sai do login e entra novamente, que dá"... E assim se passavam as horas.
Com certeza há uma lista de pessoas a quem preciso agradecer... não, não pelos macetes, que de nada adiantaram... mas havia dezenas espalhadas pelo Rio de Janeiro, com meu cpf em mãos, tentando se conectar de algum computador.
Na tarde de ontem, uma das amigas que se compadeceu da minha dor, conseguiu (finalmente!!!) acessar. Não sei como, nem porque, já que no mesmo momento, no meu computador, o sistema estava congestionado. Se havia ou não uma linha direta com a UFRJ do computador dela, não posso afirmar...
E, claro... nada é assim, totalmente de graça... mas valeu a pena assistir 'Harry Potter e o Príncipe não sei das quantas', mesmo sem ter lido nenhum dos livros, nem memorizado o nome do barbudo que parece o Gandalf...
Enfim, 7° período, aí vou eu! Agora, devidamente inscrita!
PS: Obrigada, Cintia!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Não vai durar uma semana!"

4 comentários

Este foi o primeiro pensamento que surgiu quando, por influências de certos blogs (todos do mesmo autor), me cadastrei no Blogger e decidi criar um.
Por que?
Talvez por incertezas do tipo 'será que terei sobre o que escrever?', ou ainda pela certeza de 'não tenho paciência para esse tipo de coisa'...
Mas adicionar fotos, vídeos e poder colocar alguns poemas, ainda que não sejam os meus, tem sim o seu lado divertido.
'Bloguinho' (nome hiper-criativo) está comemorando hoje sua uma semana de vida, a despeito de qualquer expectativa.
Agradecimentos especiais ao Pablito, pela paciência de explicar como se faz tudo, como se postam videos e se 'incorporam' links (realmente incrível minha falta de habilidade tecnológica hehehe)
E que continue sendo divertido!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Elephant Gun

3 comentários


If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all
That I hide

Beirut



Porque para os bons momentos há sempre uma trilha sonora.

domingo, 12 de julho de 2009

O vento e eu

0 comentários

"O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
mas o vento, por isso
me julga agora como ele...
e me dedica um amor solidário, profundo!"

Mário Quintana