sábado, 22 de agosto de 2009

Zach Condon Interview

1 comentários


Só o Zach Condon pra tocar numa concha! =)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tempo Suspenso

3 comentários

E então... ela o havia beijado. E não conseguia parar de pensar nisso. Sim, ela o havia beijado de verdade, depois de tanto imaginar este momento, finalmente havia acontecido, e o tempo estava suspenso desde então. Ali permanecia, há horas, parada do mesmo jeito, olhar vago, perdidos em suas lembranças. Apreciava cada segundo da sua tarde nostálgica e nova, onde tudo a inspirava.
Não, não fora nenhum sonho. Acontecera mesmo, embora ela própria ainda não acreditasse. Pensava que ninguém acreditaria também. Como aquela menina, de olhar tímido e cansado, tão pequena e inexpressiva poderia tê-lo beijado? Seria o que todos indagariam ao saberem. Ele nem era tão bonito assim... Mas como com ela, logo com ela isso acontecera?
O olhar vago permanecia, assim como a posição dos pés nos sapatinhos boneca. Já não podia senti-los direito. Seria também um efeito do beijo ou apenas do sangue bloqueado em suas veias? Estava tão alheia que já não saberia dizer. Além do mais, não tinha noção de quanto tempo estava ali, naquela posição.
Voltava àquele momento, e não se cansava de fazê-lo. Sentia seu coração acelerar. Além de tudo ele pegou-lhe a mão suada com carinho e sorriu. E que sorriso mais lindo ele tinha! Como ela gostava de sorrisos. Talvez gostasse tanto deles por não gostar do seu. Sorriso metálico, áspero e monótono. Evitava fazer uso dele quase sempre, lembrando de levar a mão a boca quando ele queria escapulir. Mas o sorriso dele, era lindo! Os dentes brancos e certinhos, cada qual em seu espaço, respeitando seus limites. Definitivamente não eram como os dela.
Que susto tomou quando ele pegou em sua mão! Ficou sem saber o que fazer com elas. "As unhas estão mal feitas", pensava. "Ele nem deve ter percebido", retrucava. Aliás, ela não sabia como ele, um dia, a percebera. Logo ela, que sempre se escondia de todos, sentando no fundo da sala. Não ia ao quadro negro mentindo ser alérgica a giz. Este era o seu álibi.
Enrolava os cachos, pensativa. Agora lembrava de que, certa vez, ele mencionara, a uma distância suficiente para que ela ouvisse, o quanto ele gostava de cachinhos. Naquele momento sentira-se linda, e desde então, havia passado a tratá-los com mais cuidado, rindo-se por dentro daquelas meninas de cabelos lisos, que sentavam na primeira fileiras, com aquela altivez que nunca tivera, e que agora já não lhe fazia falta.
Decidiu, finalmente, se levantar. Doíam-lhe os pés, com aquela sensação de formiguinhas que se espalhavam e subiam pelas pernas. Nunca se importou muito com elas, mas levou um susto ao descobrir, há alguns anos, que não eram formiguinhas de verdade.
Se colocou de pé e esticou as costas. Olhava o parque a sua volta. Curtia com os olhos cada uma daquelas árvores, e cada um daqueles patos, que havia recebido um nome dado por ela. Costumava alimentá-los sempre que podia.
Cada uma daquelas criaturas havia sido testemunha de todo o ocorrido. De como ele a olhara, de como conversara com ela brincando com os cordões de sua mochila, do jeito que sorrira ao segurar as mãos pequeninas de unhas mal feitas. Se ele não contasse a ninguém, então ninguém nunca poderia saber. As únicas testemunhas já lhe guardavam segredos diversos. Guardaria para si esta tarde secreta, uma aventura só sua e de seus diários, onde ninguém poderia entrar, nem mesmo em pensamentos. Os guardaria para sempre, sem faltar nenhum detalhe.
Olhava o relógio, o sol já estava se pondo. A realidade ia lhe voltando, colorida e lenta. Precisava ir embora, já deveria estar em casa há tempos. Podia ouvir sua mãe preocupada, com aquele ar de reclamação, que só as mães possuem. "Salete", diria ela, "por onde esteve a tarde toda?" Diria à mãe que passara a tarde na biblioteca, como era o mais provável. Aquele momento deveria ser só seu, preservado no relicário do seu coração. Era melhor se apressar. Caminhava para fora do parque.
Sim... ela o havia beijado, e não conseguia parar de pensar nisso.
Leila Claudia Braga

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Monte Castelo

2 comentários



1 Coríntios 13.1-8a

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver o amor,
serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios
e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes,
se não tiver o amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue
o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana,
não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus
interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba (...)


Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

sábado, 8 de agosto de 2009

Palavras

0 comentários

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quadrinhos

2 comentários

Lendo a Revista Época desta semana, vi uma reportagem sobre os brasileiros, que trabalham com quadrinhos, e que estão crescendo lá nos 'States'. Dentre alguns nomes, estavam os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Ultimamente, hqs tem feito parte da minha leitura diária, e como não conhecia nada sobre os gêmeos, decidi buscar o 'guru'... o Google.
Coloquei nas buscas e cai no blog dos caras. Todo mundo tem blog hoje em dia, e é um adianto mesmo, poder ter um pseudosite, hiper fácil de usar, que fala sobre você ou o seu trabalho, ou ambos. Me encantei com as tirinhas, e acabei pegando algumas... Não encontrei nenhuma publicação de hq deles aqui pro Brasil, pelo menos não para baixar pela internet (o que agora é uma constante, devido a falta de espaço e a vontade de economizar, embora folhear o que se lê seja muito mais gostoso do que descer a barra de rolagem).
Mas fica por aqui, ainda que poucas, as tirinhas dos caras.

O segredo

4 comentários


Lá estava ela, saindo de casa para mais um dia de trabalho. Dia chuvoso, como mais gostava. Embrulhou-se no casaco grosso e flanelado, já comido pelo tempo. Envolveu o cachecol no pescoço fino e miúdo, e calçou as botas marfim.
Partiu com a habitual disposição, sorriso no rosto, rugas que já começavam a aparecer, e aquelas olheiras. Já não sabia desde que época as cultivava, mas o fato era que não se reconheceria mais sem elas. Olheiras amigas das noites solitárias, sempre presentes. Às vezes pensava se já não teria nascido com elas.
- Imagine só, um bebê de olheiras - ria.
Pegou o guarda-chuva só por precaução, já que não gostava de usá-lo. Enfiou-o na sacola e lá ficou, afundado entre tantas outras coisas, aquele imprestável. Saiu e trancou a porta.
Ajeitou-se dentro do casaco, e soltou os cabelos negros de índia, que tanto contrastavam com a pele branca. Pôs-se a caminhar pelas ruas daquele vilarejo, onde se enfiara há tantos anos. Sentia as botas afundarem na lama daquela rua de terra batida. Não, elas já não eram cor de marfim.
Respirava fundo, como se pudesse aspirar o mundo a sua volta, e como gostaria de fazê-lo, como gostaria de tomar um pouco de tudo para si, mas sabia que era errado, já que nunca tivera nada. Sentia a brisa fresca e os cabelos esvoaçando. Como tudo era macio! Já enxergava de longe o colégio, caminhava sem pressa, tentando aproveitar os instantes de cada segundo.
Chegava ao portão em meio a correria das crianças, que já acordavam brincando, que brincavam até mesmo nos sonhos. Abriu a porta da sala, no final do corredor. Era escura e mofada, e gostava disso. Logo as crianças se punham em seus lugares, em desordem e animação. Mais um dia se iniciava, mais um dia de sua existência contínua, monótona e conformada.
Saia do trabalho às 6 da tarde, junto com o sino da igreja, quando a noite já começava a chegar. Quando era criança, acreditava que eram as badaladas do sino da igreja que traziam a noite, assim como a sineta da escola chamava as crianças. Ao soar da última badalada a noita caía, vagarosa em suas luzes e sombras, tomando conta do dia.
Fechava a porta da sala mofada, com os livros na mão, e mais um desenho para si. O que seria? Uma casa, o sol, algumas nuvens? Sim, era mesmo. Ria-se de como as crianças são parecidas, pelo simples fato de serem crianças.
Começou a chover quando entrou na rua onde morava. Não abriria o guarda-chuva, faltavam apenas alguns passos, quase não se molharia. Entrou em casa sorridente, como quem faz uma travessura, enxugou os cabelos compridos na toalha do banheiro e fechou a casa toda. Todas as janelas, cortinas, cada fresta. A casa escurecia aos poucos.
- Onde está? Onde? - sempre esquecia onde pusera o pó do café.
- Cafeteira... filtro... pó... aguá - apertou o botão e subiu correndo as escadas.
Chegara finalmente a hora, iria buscar o que lhe dava mais alegria, não poderia ficar sem isso, nem um dia sequer, ainda mais agora, quando tudo estava perfeito, as almofadas na sala, o café na cafeteira.
Desceu carregando a caixa azul, desgastada, mas ainda azul. Colocou na mesinha da sala. Ajeitou as almofadas no sofá mais uma vez. Serviu-se do café, quente e doce e se acomodara. Será que alguém sabia de seu segredo? Tinha medo que lhe tirassem de si, lhe fazia tão feliz... A única coisa que tomara para si, durante a vida inteira. A única que pertencia só a ela, como uma propriedade, como um mimo apenas seu.
Abriu a caixa, pensativa. A luz do abajour iluminava o bem mais precioso. Retirou da caixa e colocou nos pés, e era como se tudo agora valesse a pena, tanto quanto vale um conto, efêmero e mágico. Suspirava aliviada: pantufas vermelhas. Vermelhas, e só suas.

Leila Claudia Braga


Um conto meio antigo, de uns dois anos atrás, se não me engano, mas tá valendo. =)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Prato do dia

3 comentários

O Teatro Mágico em palavras

0 comentários

domingo, 2 de agosto de 2009

Translação

0 comentários

Translação

São listas antigas, paradas no tempo
Com tudo o que não foi riscado
Caneta suspensa, lua acesa
Vê como ela é redonda
E o céu tão profundo
Quanto os olhos de quem sonha
Fixos em lugar algum
O coração se espreme de vez em quando
É assim, sempre que chove
Procuram-se as meias nos dias frios
Quando a chuva não cessa o que se há de fazer?
Nem tudo é simples no mundo
Senta aqui nessa cadeira, ao meu lado
E fica mais um pouco
Olha lá como ela bóia 'imensa e amarela'
Os dedos se movem pelo ar
Sempre que canto esse pedaço
Sincronizados e livres
A cadeira imóvel, o olhar atento
Duas amêndoas que brincam
E descansam mais tarde
Na ponta do meu nariz
Deixa tudo assim como está
Espera comigo a chuva passar


Leila Claudia Braga