sábado, 31 de outubro de 2009

Castelos



E ele se foi, levando consigo tudo o que ela havia conquistado. Não fora por amor que ela fizera tudo aquilo. A maneira como criara seus castelos fora para si mesma. Deu-se conta, apenas, quando ele partiu. Mas nada fora assim, tão rápido. Ele saiu, bateu a porta e ela nem percebera, até que uma parte do que ele levou passou a lhe fazer falta.
Quando abriu a caixa de ferramentas, que guardava no horizonte, descobriu que faltavam algumas, essenciais. Sem elas, os castelos não se manteriam de pé. Sabia que já não poderia pedir nada de volta - o que é levado nunca retorna. Também não tinha certeza se encontraria por aquelas colinas alguma ferramenta similar.
Seus castelos eram de areia e iam se desfazendo conforme o vento soprava. Ficavam pelo chão, se espalhavam, mas, no final das contas, estavam ali, desorganizados, sem estrutura, perdidos pelo ar. Decidira fazer seus castelos nas nuvens e, mesmo que o vento viesse dispersá-las, ainda poderia desenhar alguma coisa bonita no céu, que alguém lá embaixo apontaria tentando descobrir. "Achei um coelho, tá vendo ali?" "Coelhos não têm asas, tolinho", e ganhara um beijo na testa.

Leila Claudia Braga

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