segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pernas de Chinês


Senta aqui e cruza as pernas
Estica as costas nessa parede branca e descascada
Tenho uma música na cabeça, quer ouvir?
Talvez você também saiba uma canção
Que fale de amor, chuva e poesia
Que fale de sorte, destino ou devoção
Só quero ouvir a sua voz no meu ouvido
Me conta aquele conto da Colasanti
E deixa esse instante existir
Nem sempre a gente faz o que dá vontade
Já vivemos tanto e sabemos
Que isso tudo ainda é pouco
Sei que você queria ficar
Que acabamos de chegar a qualquer lugar exato
Mas quero ouvir seus passos sumindo no final da rua
E suspirar da janela quando o seu ônibus passar
O seu sorriso vai ficar pra sempre
E esses olhos de menino
Por mais que você cresça e o mundo te emudeça
E se um dia, por acaso, você esquecer
Existirão pistas por aí: nos muros, nas nuvens, nos Contos de amor rasgados¹,
Na constelação de Orion, no som do trompete ou do alaúde...
E isso manterá tudo vivo por aqui
Ou por qualquer outro lugar aonde a vida nos leve
Você sabe, meu bem, que nada é eterno
Mas, embora o tempo passe e tudo envelheça
Os nossos segredos serão sempre nossos
Não precisamos jurar ou cruzar os dedos
O seu olhar me diz tudo o que preciso saber
Me deixa apenas terminar esse conto
E segue assim, um pé depois do outro
Mais um pouco e a gente se esbarra de novo...

Leila Claudia Braga

¹ Contos de Amor Rasgados - Marina Colasanti.

2 comentários:

Bruno Uchoa disse...

Parabéns pelo poema, ele tá muito bem desenvolvido. Só que realmente não entendi a referência à Colasanti - é a primeira vez que ouço [ou leio] dela...
Abraços e continue fazendo poesia!!!

Leilucha disse...

É uma ótima escritora. Deve ter algum livro dela em pdf por aí, dá uma pesquisada qq hora.

:D

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