sexta-feira, 27 de maio de 2011

1984

"Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro"



Sensacional e angustiante! Esses foram os dois adjetivos que vieram na minha cabeça assim que terminei de ler 1984. Fiquei fascinada com esse livro. Prometo fazer um post com o mínimo de spoiler possível... Desses com a intenção de deixar apenas o gostinho de como o livro é bom! rsrs
Essa distopia futurista, escrita por George Orwell como reflexo da frustração do autor durante o período do pós-guerra, em 1948, apresenta uma sociedade sob um regime totalitário personificado pelo Grande Irmão. A população nunca o viu e ninguém sabe se ele é realmente uma pessoa. Na história, o mundo está dividido em três grandes blocos: a Lestásia, a Eurásia e a Oceania, onde se passa a história. Estas nações vivem constantemente em guerra, não com o objetivo de ganhar territórios ou riquezas, mas para manter funcionante a indústria e latente o ódio da população contra o inimigo do Partido: Goldstein e seus seguidores. A idéia é manter os cidadãos com a adrenalina canalizada para o Partido. O sexo é quase abolido, sendo permitido apenas para a procriação e com o consentimento do Partido. As relações familiares e fraternais também. Não se criam mais laços como antes. Qualquer um pode ser um delator. Trabalha-se para o Partido, vive-se em prol do Partido. É assim para quase todos, exceto os proles. Estes estão a margem da sociedade. Vivem sem a intervenção do Estado e não possuem qualquer relevância na sociedade.

O Partido possui três lemas:

Guerra é Paz;
Liberdade é Escravidão;
Ignorância é Força.


Contraditório? Não pela ótica do duplipensar. Esta palavra, criada em Novalíngua (ou Novafala, dependendo da edição), idioma criado pelo Partido, consiste basicamente em se ter duas idéias contrárias e aceitar ambas como verdade. O uso da Novalíngua tem como objetivo a alienação. A cada ano, ao contrário das línguas normais, a Novalíngua perde vocábulos, sendo cada vez mais simplificada, sem a existência de sinônimos, neologismos criados pela sociedade ou qualquer possibilidade de refletir sobre o significado de uma palavra. Um exemplo disso é o imbom, que significaria tudo o que não é bom, excluindo qualquer uso de sinônimos para a palavra mau.

O Partido possui os "Dois minutos de ódio", onde os funcionários, em uma pequena sala de cinema, vêem na tela a imagem de Goldstein e participam de um frenesi de ódio, declarando seu amor integral pelo Grande Irmão.

Ainda existem três ministérios: o Ministério do Amor, que captura, tortura, reeduca e vaporiza os inimigos do partido; o Ministério da Verdade, onde trabalha Winston, o protagonista da história, encarregado de alterar os documentos históricos, alterando o passado, de forma que o partido sempre esteve certo e sempre estará certo; e o Ministério da Fartura, encarregado de manter a população em um regime de subsistência.

O "Big Brother" vigia os cidadãos através de aparelhos chamados teletelas, que estão em todos os apartamentos, constantemente ligadas, sendo capazes de filmar os indivíduos e, ao mesmo tempo, emitir propaganda do partido, como se fosse um rádio ligado 24 horas por dia. Qualquer atitude e gesto executado, qualquer coisa dita ou, simplesmente, qualquer expressão facial suspeita é o suficiente para que pessoas sejam presas, torturadas ou vaporizadas pela Polícia do Pensamento, que também era incumbida de apagar os registros dos que eram presos, de modo que, adulterando o passado, estas pessoas nunca teriam existido e se tornariam impessoas.

O curioso dessa sociedade é perceber que ninguém escreve. Tudo é gravado pela voz e nada é guardado. No trabalho de Winston, quando ele adultera um documento histórico, o pedido de adulteração é incinerado, assim como qualquer bilhete, recado e etc. E é neste contexto que Winston decide começar a escrever um diário, tendo a consciência de que só pelo desejo de escrever o que pensa do partido está cometendo a crimidéia - ou seja, idéias ilegais para o partido, o crime mais sério que poderia existir. É a partir daí que se desenrola a trama.

Além da forte crítica política envolvida no livro, as diversas metáforas falam de temas como a manipulação de informação, a opressão feita por regimes ditatoriais, a invasão de privacidade, e etc. É por essas e outras que 1984 é um dos romances mais influentes do século XX.

Leiam! É bom demais!

Fica a dica :D

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