segunda-feira, 25 de julho de 2011

Refrão

0 comentários



Quando ele me viu deu um sorriso do meio da multidão
Chegou perto e logo se esticou, me puxando pela mão
E me disse que eu era a coisa mais bela que ele viu nessa confusão
Que iria dali a alguns dias para Taiwan numa excursão
Que o mais diferente que tinha provado foi caipirinha de melão
Que nunca tinha usado Havaianas por falta de opção
Que queria morrer aos 70 pulando de um avião
Ele fazia rir de um jeito ritmado meu descompassado coração
Me pagava uma cerveja e levava nas costas seu velho violão
Me dizendo que andou esse mundo inteiro só pra debater a paixão
E quando me encontrou tudo fez sentido na sua canção
Agora ele se vai me dizendo que volta na festa de São João
Que vai lembrar de mim quando comer sushi conhecendo o Japão
Que a vida é engraçada e a Terra pequena pra tanta desilusão
Que tudo poderia mudar no seu roteiro algum dia querendo ele ou não
E a certeza que ele levava é que eu seria sempre o seu refrão

Leila Claudia Braga

domingo, 24 de julho de 2011

Longe daqui

0 comentários
Um trem pra bem longe daqui
Pra onde não exista o sabor
Qualquer lugar distante de todo esse
Meu amor, aceno pra você sem sorrir
Porque eu sei como dói ver partir
Pra sempre quem se quer

Sei que não entende essa dor
Você que nunca amou mais ninguém
E agora já não sabe o que é que te fazia
Andar de ônibus rodando a cidade
Com pressa de descer logo a serra
Só pra ver olhos verdes iguais ao pôr-do-sol

Eu sei que você já esqueceu
As cores que você mesmo deu
Constelações que já encontrou
Sentidos que você já perdeu
Por andar por aí sem saber
Sem ter aonde chegar

Se um dia você quiser voltar
Não sei mais se você saberá
Qual dos caminhos deve seguir
Mas se acaso você o encontrar
Corra bem depressa e suba pra ver
Que o sol renasce todas as manhãs
Mesmo sem se querer.

Leila Claudia Braga

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Coisas azuis

2 comentários



Eu vejo meninos andando com suas mochilas e tênis azuis
Eu vejo o cachorro com cara de ovelha correr
Atrás da menina com o seu sorvete, buscando o mar
Eu ouço, meu bem, eu escuto as nossas conversas
- Vamos viajar? - e as nossas mãos entrelaçadas
Quase amarradas como o teu olhar no meu,
[Meu bem] hoje eu percebo tantas coisas boas
Que agora já consigo enxergar
E não importa o quanto se ame e o quanto se queira
Há sempre no mundo alguma maneira
De se machucar

Leila Claudia Braga

domingo, 17 de julho de 2011

Pequenos pensamentos sem importância [2]

2 comentários


Engarrafamento é uma merda e todos sabem disso. O que vou dizer aqui não é masoquismo, juro. É apenas a prova de como nos acostumamos a tudo na vida. Depois de 4 anos estudando no Fundão, pegando engarrafamentos quilométricos de pelo menos duas horas de duração (isso quando não chegavam a três horas e meia...), me acostumei a usar esse tempo "livre" para estudar as coisas da facul, escutar música ou o Nerdcast e, principalmente, ler os meus livros. Hoje trabalho relativamente perto de casa: 40 minutos me separam do meu serviço e isso não é nem meio Nerdcast, nem 1/3 das minhas músicas e poucos capítulos dos meus livros. Juro que já me peguei pensando: "Ah... já vou saltar? Mais meia hora de engarrafamento e eu terminava de ler!!!"
Acho que é por isso que tenho escrito tão pouca coisa ultimamente... afinal, a gente pensa um bocado de coisa quando está parada no ônibus e boa parte delas iam para o papel.
Só lembrando... isso não é uma reclamação de barriga cheia... É só mais um pequeno pensamento sem importância...

:D

Um violinista no telhado

1 comentários
Há alguns anos atrás comprei o filme "Um Violinista no Telhado". Nem sabia do que se tratava, mas como eu estava às voltas com as minhas apresentações de violino, acabei levando o dvd pra casa e, que surpresa a minha... o violinista era apenas uma metáfora. Fiquei meio desanimada mas continuei assistindo mesmo assim e, ao final daquelas quase duas horas de musical, me apaixonei pela história e pelos personagens.
Se passa numa pequena aldeia chamada Anatevka, na Rússia czarista, formada por judeus. A principal característica desse povoado é que todos guiam suas vidas segundo as tradições judaicas, sem se misturarem com os cristãos ortodoxos que vivem próximos dali. O início da peça mostra os papéis de cada um na sociedade.
Nosso protagonista é Tevye, leiteiro, pobre, casado e pai de cinco filhas. Seguidor das tradições judaicas, ele se vê obrigado a escolher entre segui-las ou abrir mão delas permitindo que as filhas se casem com quem desejam. Cheio de situações engraçadas e reflexões quanto ao que escolher, Tevye acaba conquistando o espectador.
Uma das coisas que mais gostei (difícil até selecionar, já que acho essa peça genial) é a forma como Tevye fala com Deus e reclama de todo o azar que acontece.
Além dele, os demais personagens são muito bem elaborados: a casamenteira que sempre inventa uniões estranhas, pensando a prosperidade econômica dos pretendidos; o açougueiroque deseja se casar com uma das filhas de Tevye, mesmo sem ser correspondido por ela; Tzeitel, o alfaiate, e também um dos pretendentes, que passa boa parte da história tentando conseguir sua máquina de costura; Fyedka, outro que deseja se casar com uma das filhas de Tevye e faz parte do exército do czar; e ainda um jovem judeu revolucionário (não lembro mesmo o nome dele) que ensina a Torah de um modo bem Marxista; o rabino, que é bem velhinho, e muito bem humorado em seus conselhos.
Um Violinista no Telhado ainda conta com a trilha sonora linda! E para quem gosta de História, a peça ainda mostra a Rússia czarista, a expulsão dos judeus e outras coisas mais.

Fica a dica da peça e do filme!
Vale a pena assistir em inglês também... as músicas são melhores, apesar da versão brasileira estar ótima.

:D