sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Coisa de novela

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As brumas do cabelo dela
espalham-se pela favela
e me perfumam a janela
quem é que vai contar a ela?

Que a cada passo de donzela
que ela dá pela favela
já me apertam a goela
quem é que vai contar a ela?


Já não resisto a uma olhadela
parece coisa de novela
lá vem seu cheiro de canela
quem é que vai contar a ela?

Eu lhe prometo à piscadela
lhe dar o amor todo em rodela
e me perder só por tabela
quem é que vai contar a ela?

Me espere moça na capela
chame toda a sua parentela
que eu vou com flores na lapela
se um dia eu for contar a ela...


Leila Monteiro de Castro

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Uma didática da Invenção"

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"Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) O modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios."

[Manoel de Barros]

"Seis ou treze coisas que aprendi sozinho"

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"Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse."

[Manoel de Barros]

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Íris

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Amarelos quando apontavam ao sol
Cinzentos se chegavam ao trabalho
Cor-de-mel percorrendo o sonho
Que ainda se lembra ao despertar

Parados ao soar daquele sino
Vidrados como olhos de menino
Pequenos quando seu sorriso bobo
Tomava toda a casa ao passar

Surpresos quando o viram chegar
Molhados quando o ouviram falar
Que a verdadeira cor que Deus lhes deu
O céu mostrou quando o dia anoiteceu

Leila Monteiro de Castro

Rabiscos de luz

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Dias azuis com baldes de sol
Pra iluminar o seu futebol
Ventos chiando com risos de mar
Todas as ondas a te acompanhar

Tubos, cubos, mudos
Muros de sussurros
Do amor que eu guardei
Em segredo pra você

Medo, cedo, chego
Um arremesso de abraços
Só pra ver você sorrir
Antes do ônibus partir

Sento no chão e rabisco no ar
Noites de cores que ofuscam o luar
Fujo do escuro e corro até lá
Só pra você me achar

Queixo, mexo, deixo
Me ajeito sem ar
Redes de listras pra me balançar
Só pra enfim te beijar

Leila Monteiro de Castro

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

It's me: Mario!

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Meu encanador gorducho e bigodudo favorito faz hoje 25 anos de idade!
Boa parte da minha infância foi gasta pulando em cima de tartarugas, descendo por canos e catando moedas de ouro! Isso sem falar na trilha sonora... que eu adoro...

Para comemorar... curtam os dois vídeos que achei por aí:

A evolução do jogo:


Entrevista com Charles Martinet, dublador do Mário:



Parabéns, Mário! :)

Domo...

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...Gaga Fashion

:P


Postagem de uma tarde fria

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"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

Clarice Lispector

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Pé de ar

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Pé de pato para nadar ao longe
Pé da serra onde o sol se esconde
Pé de cabra para assustar
Pé de manga para balançar
Pé de feijão no algodão
Pé de moleque em São João
Pé de Pano pra cavalgar
Pé de nuvem pra imaginar
Pé de palhaço pra te fazer rir
Pé de coelho para a sorte vir
Pé de anjo pra alcançar o céu
Pé de moça delicado como papel
Pé d'água para atrasar
Pé de vento para dissipar
Pé de ouvido para segredar
Pé de quê pra te fazer sonhar?
Pede, que eu fico até o sol raiar

Leila Monteiro de Castro