segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O que metia medo na infância #2 [O Bate-Bola]

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Os Bate-bolas, também conhecidos como Clóvis, são ícones do carnaval carioca. Sua indumentária é semelhante as do arlequim e pierrot medievais. Eles usam máscaras de feições sinistras, com cabelos coloridos e um apito ou chupeta no lugar da boca... capazes de assustar qualquer criança. É impossível identificar quem está por baixo dela. Os bate-bola não falam. Eles fazem mímica ou utilizam os apitos para se comunicar entre si. Além disso, os bate-bolas carregam uma bola suspensa por um fio, que usam para bater por aí fazendo barulho. Antigamente, as bolas eram feitas de bexiga de boi, o que as tornava fedorentas e fazia com que o barulho fosse muito pior do que as de agora - que são feitas de plástico.




No meu caso, não era só no carnaval que essas "criaturas" apareciam para me assustar. Todo o início de ano era comemorado na minha rua a Folia de Reis. A banda se concentrava, colorida, embaixo da minha janela. Bastava ouvir o primeiro "tum-tum" do tambor, que anunciava o início da folia, que descíamos correndo, eu e meu irmão, para a rua e víamos a Folia subir até o morro. No meio de toda aquela festa estavam eles... Os bate-bolas!
Eu morria de medo da roupa e do jeito que eles pulavam.
Talvez tivesse mais medo disso do que de levar uma bolada! Aproveitava ao máximo a Folia mas ficava sempre de olho para fugir a qualquer momento!



Não há quem não tenha brincado o carnaval e não tenha corrido de algum.
Por isso, crianças... Cuidado por onde andam...

O bate-bola pode estar por perto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que metia medo na infância #1 [O velho do Saco]

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Quem não tinha medo dele???

via http://www.fotolog.com.br/thiag0_p/



Não adiantava! Qualquer coisa de errado que se fizesse lá em casa já era motivo para se falar nele. O Velho do Saco viria mais cedo ou mais tarde para pegar as crianças. Ele tinha até uma música, que a minha avó inventou, e que ela cantarolava de vez em quando.
Eu e meu irmão morríamos de medo do velho subir a rua e nos esperar na esquina, com o saco nas costas.

Essa figura curiosa que atormenta a mente das crianças é um mito, aparentemente, conhecido em todo o Brasil, e que foi convergido de outra lenda: O papa-figo.

"Ele costuma sair à noite ou ao fim da tarde, na hora do crepúsculo, aproveitando o horário da saída das escolas. Seu aspecto pode variar de região para região. Algumas vezes é velho, sujo, sofre de hanseníase e tem o corpo coberto de chagas. Pode também ser alto, magro, pálido e com a barba por fazer. Às vezes carrega um saco. Procura crianças, atraindo-as com o intuito de raptá-las, extraindo-lhes, a seguir, o fígado.

Segundo a crença popular, o sangue é produzido no fígado. Quando este não funciona bem, o sangue apodrece, causando a lepra. A cura estaria no consumo do órgão sadio. Mas somente o fígado infantil teria pureza e forças suficientes para aliviar o sofrimento dos hansenianos. E sempre haveria alguém disposto a pagar qualquer preço por tão poderoso e raro lenitivo"
[via www.jangadabrasil.com.br/galeriademitos]

Louco, não?

Mas a descrição da aparência era bem essa a que eu imaginava. Ou a que me contaram. Embora o meu velho do saco jogasse as crianças no rio ou fizesse sabão delas.

Até no Chaves encontramos o Velho do Saco:
[a partir de 7 min de vídeo ~ 28min]



E assim inauguramos a série "O que me metia medo na infância". Afinal, todos nós passamos pelo pânico de tantas coisas inexistentes mas que, na época, faziam todo o sentido.

:D

Anexo

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Não pense que as respostas vem soltas no vento,
Nem espere que elas estejam prontas,
No alto daquela colina
Ou fora desse planeta.
Às vezes tudo o que precisamos é parar
e olhar





pra dentro.



Leila Monteiro de Castro

Caleidoscópio

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É do amor à arte
É pelo amor à parte
É de amor ao todo

Que me movo.



Leila Monteiro de Castro

Madrugadas

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É quando o sono me vem que a inspiração chega. Basicamente por isso, e não pela vã insônia, que carrego essas olheiras. "Clarice escrevia de madrugada", lembro de ouvir alguém dizer. Se verdade ou se não, não sei. Mas compreendo bem essa necessidade de silêncio sob os telhados da vizinhança, esse zumbido único da ausência de ruídos.
Eu nunca fui muito de escrever poemas, não que este seja um deles, mas, ultimamente quase tudo que rabisco sai em verso, embora eu sempre tivesse predileção pela prosa. Não pense, por isso, que eu me intitulo poeta. Isso é para os grandes, e talvez eu ainda me sinta mesma muito pequena por mais que na minha cabeça os sonhos sejam imensos.
Nela guardo um livro ou dois que tento escrever, artigos científicos, teorias malucas, epifanias para a Humanidade, rimas curiosas, músicas inteiras. Tudo aqui dentro, em um mosaico inacabado onde as peças vou encaixando e colorindo.
Quem sabe um dia eu termino? Se o tempo for bom comigo, se o cansaço largar de mim no final do expediente, se as madrugadas forem longas o suficiente.
Só vai saber quem esperar pra descobrir. Sento na cama e espero, matutando, até o próximo estalo.

Leila Monteiro de Castro

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Coisas gigantes da vida

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Desconfio que o meu maior defeito seja o de me entediar de maneira fácil demais. Não que eu não saiba dar valor as coisas pequenas da vida, mas talvez por selecionar demais as categorias do que pode me fazer sorrir por dentro.
Só sei que me identifico com Vinícius quando ele diz que "é impossivel ser feliz sozinho".
Todos (ou quase todos) os pequenos prazeres se tornam gigantes quando temos amigos.

Leila Monteiro de Castro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Malas

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Você tem que correr antes que tudo exploda
Você tem que gozar antes que o instante morra
Você tem que sofrer antes de ser feliz
Você tem que lutar pelo que sempre quis

Eu não quero pensar em ver você partir
Eu não quero apostar pra ver tudo ruir
Eu não quero sentir o frio da manhã
Eu não quero provar toda essa hortelã

Mas eu quero um beijo seu

Se eu pudesse inventar a hora do sol sair
Se eu pudesse migrar sem ter pra onde ir
Se eu pudesse sorrir com toda a sua cor
Se eu soubesse ganhar pra sempre o seu amor

Correria o mundo inteiro
Nessa correria que o mundo tráz
Mas te veria sem pressa alguma
Sem hora nenhuma pra ir deitar

Se eu pudesse escolher a hora de partir
Se tivesse certeza de onde quero ir
Levaria o seu coração
E todas as suas malas

Leila Monteiro de Castro

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mesmice

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Ele me ensinou tantas coisas
Que acho que não sei de cor
Mas reparo vez em quando que aprendi
Que a inveja é branca
E a amizade é pura
Que os olhos da esperança
Ultrapassam a loucura
Que é sorrir sem ter porque
Fugir pra bem longe daqui
Nesse dia enfeitiçado
Pela moura dos meus sonhos
Dos seus contos e garranchos
Que só eu sei ouvir
O bom da vida é sonhar
De olhos bem abertos
E com o coração disperso
Por você eu venceria o mundo
E te salvaria da mesmice
Pois basta cantar um verso
Pra te ter aqui por perto
Se a chuva cai eu já não ligo
Pro cabelo que embaraça
Lindo é o nosso momento
E ninguém mais fará sentido
Além de ti
Leila Monteiro de Castro