segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Madrugadas




É quando o sono me vem que a inspiração chega. Basicamente por isso, e não pela vã insônia, que carrego essas olheiras. "Clarice escrevia de madrugada", lembro de ouvir alguém dizer. Se verdade ou se não, não sei. Mas compreendo bem essa necessidade de silêncio sob os telhados da vizinhança, esse zumbido único da ausência de ruídos.
Eu nunca fui muito de escrever poemas, não que este seja um deles, mas, ultimamente quase tudo que rabisco sai em verso, embora eu sempre tivesse predileção pela prosa. Não pense, por isso, que eu me intitulo poeta. Isso é para os grandes, e talvez eu ainda me sinta mesma muito pequena por mais que na minha cabeça os sonhos sejam imensos.
Nela guardo um livro ou dois que tento escrever, artigos científicos, teorias malucas, epifanias para a Humanidade, rimas curiosas, músicas inteiras. Tudo aqui dentro, em um mosaico inacabado onde as peças vou encaixando e colorindo.
Quem sabe um dia eu termino? Se o tempo for bom comigo, se o cansaço largar de mim no final do expediente, se as madrugadas forem longas o suficiente.
Só vai saber quem esperar pra descobrir. Sento na cama e espero, matutando, até o próximo estalo.

Leila Monteiro de Castro

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