quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O que metia medo na infância #6 [Pó da Mariposa]

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Quem nunca ouviu sobre o pó da mariposa (ou da borboleta)?

Minha mãe sempre dizia que era pra tomar cuidado, se pegasse na mariposa ela soltava um pó que cegava. Eu morria de medo disso, e quando a mariposa voava a metros de distância de mim, já fechava os olhos só pra garantir... Vai que bate um vento... :S

Afinal, o medo da mariposa tem cabimento? Ou essa é mais uma das "lendas" que nos contam quando somos crianças?



Comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que esse papo todo de pó de mariposa não é só conversa de mãe. Existem, sim, riscos que o pó da mariposa traz a nossa saúde.

Algumas espécies de mariposa possuem uma substância chamada Cantaridina. Em contato com a pele podem causar dermatites pelo corpo, manifestadas na forma de vermelhidão, erupções e irritação. Os maiores cuidados devem ser com os olhos. Quando a mariposa bate as asas esse pó é liberado. Quando atinge os olhos pode gerar inflamações. Recomenda-se o uso de chapéu ou óculos para evitar o contato com as mariposas quando em regiões onde existam em grande número.



Além disso, há uma espécie em particular, a Hylesia Paulex (foto acima), que possui diversas cerdas em seu abdome, utilizadas para proteger sua cria dos predadores. Quando estas cerdas entram em contato com a pele podem causar uma doença chamada Dermatite Papulopruriginosa.
Há ainda uma série de dermatites que podem ser causadas por espécies de lagartas.

E quanto a borboleta?

"É seguro tocar uma lagarta ou borboleta?
Algumas lagartas são recobertas por pêlos urticantes que podem causar desde um ligeiro desconforto até queimaduras leves. A maioria das lagartas são inofensivas. Crisálidas e borboletas são extremamente delicadas e podem ser danificadas facilmente, mas são inofensivas ao toque. As asas das borboletas são recobertas por escamas. Essas escamas se soltam formando pó, que pode irritar os olhos como qualquer tipo de poeira.
A melhor forma de aprender sobre os insetos é observá-los em seu ambiente natural."

O que fazer se a pele apresentar estes sintomas após o contato com o inseto?
O recomendado é colocar compressas de água fria e procurar um médico.


Portanto, continuem tomando cuidado com as mariposas...


Referências:
http://www.zoo.df.gov.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=12566
http://www.gazetadopovo.com.br/verao/conteudo.phtml?id=1080314
http://www.ivb.rj.gov.br/palestras/manu_peconhentos.pdf
http://www.samuelmoreira.com.br/meu-dia-a-dia/alerta-a-populacao-mariposa-noturna-pode-causar-dermatite

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O que metia medo na infância #5 [Palhaços]

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Eles sorriem com o rosto carregado de maquiagem, o que torna impossível identificar quem está por trás do personagem. O nariz vermelho, os olhos delineados, cabelos despenteados e coloridos, roupas espalhafatosas e uma boca que parece imensa!
Quando eu era criança tinha um certo "receio" de palhaços. Eles nunca me pareceram confiáveis. Ter medo de palhaços é algo bem comum e não só em crianças.



A Coulrofobia (Bozofobia ou Ballatrofobia), ou medo de palhaços, também atinge adolescentes e adultos.

"Às vezes o medo é adquirido após experiências traumáticas com um indivíduo singular, ou após ver algum palhaço ameaçador na mídia.
Ao depararem-se com algum indivíduo vestido de palhaço, 'os portadores dessa fobia têm ataques de pânico, perda de fôlego, arritmia cardíaca, suores e náusea'."

Um exemplo disso é a cena abaixo. Este vídeo é parte de um programa da NatGeo sobre fobias. Neste episódio a mulher em questão sofre de Coulrofobia e está sendo acompanhada por seu psicólogo em uma experiência de encontro com um palhaço. A mulher entra em pânico e começa a desenvolver os sintomas de um ataque de pânico.



Diversos palhaços famosos povoam as nossas lembranças. Alguns verdadeiramente horripilantes e outros, tão gentis, não meteriam medo mesmo na criança mais insegura.

Vamos começar...

* It - A Coisa
Personagem de Stephen King, It, é um ser sobrenatural. Travestido de palhaço, na cidade de Derry, amedronta um grupo de crianças: Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly. No filme, quase trinta anos depois do primeiro contato com a criatura, os amigos se reencontram e se vêem na incumbência de enfrentar novamente a criatura que aterroriza a cidade.
Carregando balões e chamando as crianças, IT é um dos palhaços mais assustadores do cinema.



* Bozo
Personagem americano, criado por Alan Livingston na década de 40 e fez sucesso pelo mundo afora.
Bozo chegou à Tv brasileira apenas na década de 80, sendo exibido na Rede Record e posteriormente no SBT. A versão brasileira do palhaço foi idéia de Silvio Santos - na época dono das duas emissoras, sendo que a Record ainda não era uma rede -, sendo interpretado por diversos atores, ao longo dos 10 anos de exibição.
Me lembro que quando era pequena não sentia medo do Bozo. Tinha até o shampoo do Bozo, com a embalagem de plástico desenhada, imitando o personagem. Ele fez um sucesso estrondoso e levou milhares de crianças às gargalhadas.

* Vovó Mafalda
Tá, ela era homem. Mas não é disso que viemos falar aqui.
A Vovó Mafalda, por mais que eu a adore, convenhamos, é um dos palhaços mais feios da TV. Apesar disso, tinha uma gargalhada inconfundível, era simpática e engraçada, e cantava diversas músicas divertidas durante o programa. Ela veio - ou ele, sei lá - e conquistou a nossa infância.
Interpretada por Valentino Guzzo, o programa da Vovó Mafalda foi ao ar no SBT, na década de 90. Inicialmente foi criada como personagem secundária do programa do Bozo, sendo posteriormente "promovida" a um programa só seu.
Quem não sabe de cor aquela musiquinha? "Tchau, tchau, tchau, eu vou viajar..."

* Palhaço Carequinha

Duvido que alguma criança tenha medo do palhaço Carequinha. Ele passa uma coisa mais humana do que os outros. De todos os demais é o palhaço que usa menos maquiagem. (coincidência?)
George Savalla Gomes, o Carequinha, nasceu em família circense. Dentre inúmeras outras coisas, fez sucesso nos anos 80 apresentando o programa infantil "Circo Alegre" na TV Manchete. Na Globo, fez parte da Escolinha do Professor Raimundo e gravou Um dia de Maria. Além disso, gravou 26 discos e participou de diversos filmes.

* Quem tem medo de palhaço... na ficção?

Não somos só nós que temos medo deles! Esses aqui também sofrem do mesmo mal:

"Billy, do desenho animado As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy; a personagem Velma, do desenho animado Scooby Doo, que declara o medo de palhaços no episódio em que o grupo deve enfrentar um vilão disfarçado de palhaço e ela se recusa a participar do caso inventado desculpas, como trabalhos de faculdade; Ben de Ben 10 ,Cory de As Visões da Raven, Chuckie de Os Anjinhos, Tonya de Todo Mundo Odeia o Chris, Sam Winchester da serie Supernatural, Seeley Booth, da série Bones e Wakko Warner dos Animaniacs; Kramer, da série Seinfeld."

Sam Winchester tem medo... imagine nós! :P

Para finalizar este post... não poderia faltar a cena do filme Poltergeist. Conseguiu unir dois medos em um mesmo momento... BONECOS DE PALHAÇO!



Referências:

http://pt.wikipedia.org/
http://sidereus-nuncius.blogspot.com/2008/09/coisa-stephen-king.html
http://redepsicologia.com/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Esse Blog abraçou a “Casa que o amor construiu...”

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Bloguinho é o mais novo parceiro virtual da Casa Ronald McDonald RJ


A Casa Ronald McDonald-RJ acaba de ampliar seus horizontes no mundo virtual. A instituição, que hospeda crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer no Rio, começou uma nova campanha na internet. Após ter lançado uma Fan Page no Facebook, e revitalizado o Twitter, a CRM lançou uma ação junto aos principais blogueiros do país. O mote da campanha online será uma extensão do slogan tradicional: “A Casa que o amor construiu... a Internet abraçou!”. A expectativa é conquistar, cerca 1 milhão e meio de visualizações em blogs e sites desses novos parceiros.

A agência CMI, especializada em marketing digital, ficará responsável pela campanha, voluntariamente, e começou o trabalho fazendo uma listagem dos maiores blogs do Estado do Rio, e mais influentes do Brasil. E o Bloguinho foi um dos selecionados.

Sendo assim, aproveitamos a oportunidade para passar para nossos leitores, que a partir de hoje, abraçaremos a CRM-RJ. Nosso espaço ganhará o selo de “Blogueiro Responsável” da Casa Ronald McDonald RJ, e convidamos a todos para também abraçarem a Casa.

Apoie a Casa seguindo e adicionando as redes da CRM:


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Responsabilidade Social – Esse Blog abraçou a CRM-RJ - Blogueiro Responsável

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

2x2 m²

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É apertado aqui e muitas vezes falta ar
Embora tudo lhe pareça tão grande
Ele tentou levantar do chão mas logo notou
Não cabia nem metade do seu coração

O sol é quente lá fora mas é tão bonito
- Quero espiar enquanto a sombra não vem.
O vento passa raspando os pêlos da sua barba
E a poeira voa cobrindo os olhos de pó

- Se estico a mão pra te sentir, só um pouquinho
Dá um aperto aqui dentro que dói;
Um dia, juro, ainda saio daqui
Corro atrás de você e te levo comigo.

Porque um dia tudo muda, até o que é bom se vai
- Vou me alargar na estrada dos meus sonhos
Te dou carona para onde quer que eu vá;
Espero que também seja onde você quer ficar.

Leila Monteiro de Castro

sábado, 10 de dezembro de 2011

O que metia medo na infância #4 [Bruxas]

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"Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!"
(Miguel de Cervantes)

Retratadas em contos de fada como mulheres - geralmente idosas - cruéis, que voavam em vassouras, adoravam à lua, transformavam pessoas em animais, remexiam caldeirões, envenenavam maçãs e tinham sempre um gato preto a tiracolo. Mulheres dotadas de poderes e de saberes macabros.
Não que fosse um dos meus maiores medos. Em geral eu achava as bruxas uma alegoria divertida e até necessária, afinal toda a história infantil precisa de um vilão. Mas como fazem parte do imaginário infantil, não podiam faltar no nosso "O que metia medo na infância".
É bem verdade que existem adultos que acreditam nelas e sentem até um arrepio quando se fala em Magia Negra.

A única bruxa que eu tinha medo - medo mesmo - era de um filme inglês que vi quando criança chamado: "Convenção das Bruxas".


A história se passa na Inglaterra, onde Luke, após a morte dos pais, é levado junto com a avó para um hotel. Ao chegarem lá, sua avó faz uma advertência sobre as bruxas e conta ao menino que já foi vítima de uma, o que lhe custou um dedo mínimo.
Luke sai para brincar levando consigo um dos seus ratos de estimação - que por sinal não são muito bem quistos no hotel. Ele decide brincar em uma sala de convenções. Para sua surpresa estava prestes a começar uma reunião de mulheres. Antes que ele pudesse sair, as integrantes da reunião fecham as portas. Por detrás do biombo ele pode assistir a tudo o que acontece na sala e vê a terrível cena: as senhoras retiram suas perucas e máscaras, exibindo carecas nojentas e narizes imensos e curvos, e unhas muito compridas. Elas começam a reunião idolatrando a rainha, que se encontra a frente da convenção. Comentam que as crianças tem cheiro de cocô e que devem ser exterminadas do país. Alguém bate à porta e logo todas se ajeitam cobrindo os rostos e cabeças com seus disfarces originais. Entra na sala um menino muito gordinho, perguntando onde estava a barra de chocolate prometida pela moça da recepção. A bruxa rainha o chama e dá a ele uma barra envenenada com uma poção, que transforma o menino em rato em meio às gargalhadas.
Luke observa tudo apavorado e logo seu cheiro é percebido pelas mulheres. Obrigado a tomar a poção, o menino também se transforma em rato. Tendo como companheiro o menino gordinho, que agora é um rato que só pensa em conseguir comida, ele busca a avó para conseguir voltar ao seu estado original, além de tentar deter o plano das bruxas.
Acredito que o que me dava medo mesmo não era nem a aparência das bruxas, mas o fato de um adulto admitir que já foi vítima delas.

Existem outras bruxas muito famosas, que se consagraram na literatura e no cinema/tv.
Algumas más e outras bem divertidas.
  • Bruxa do Oestre: A malvada de Oz

Elphaba, ou Bruxa Malvada do Oeste, foi criada por L. Frank Baum no livro O Mágico de Oz. Possuia uma irmã, a bruxa Nessarose, também conhecida como Malvada do Oeste. Embora tenha sido representada com a cor verde no filme, sua aparência era diferente. Tinha um capuz e roupas rasgadas, um olho cego e costurado.




  • A Feiticeira: bruxa American Way Of Life




Bruxa do famoso seriado americano "Bewitched" ou "A feiticeira", Samantha é a típica dona de casa americana. Simpática, gentil e engraçada, tinha um jeito gracioso de fazer suas magias mexendo o nariz. Ao contrário das demais feiticeiras - ou de qualquer mortal que tivesse a oportunidade de possuir seus poderes - Samantha não aceitava sua condição de bruxa e negava-se a utilizar seus poderes, tentando seguir uma vida humana tradicional.







  • Malévola
Personagem do conhecido desenho da Walt Disney, A Bela Adormecida, inspirado a partir de um conto dos Irmãos Grimm.
Com um par de chifres negros na cabeça, um cajado mágico nas mãos e uma gralha como serviçal, a bruxa era dotada de uma arrogância sem igual.

Após não ter sido convidada para a festa de batismo da princesa do reino, invade o castelo real e lança sobre a menina uma maldição: aos 16 anos espetaria o dedo numa roca e morreria. A menina, Aurora, dotada de três fadas madrinhas, é levada para a floresta onde mudam seu nome para Flora. Vive em uma casa simples com as fadas, que acredita serem suas tias, estando sempre protegida de agulhas, rocas ou quaisquer outros objetos pontiagudos - agora proibidos em todo o reino. Malévola permanece a procura da princesa, até encontrá-la, por descuido das fadas. No décimo sexto aniversário de Aurora, Malévola a enfeitiçá-la, colocando-a em sono profundo. Ao final, porém, o príncipe consegue salvá-la, após passar pelo vale de espinhos.
Na versão original a história é um pouco diferente.

Na festa do batismo da tão desejada princesa, foram convidadas 12 fadas e como madrinhas desta ofereceram-lhe como presentes a beleza, o talento musical, a inteligência, entre outras bênçãos apreciadas. No entanto, uma velha fada que foi negligeciada, porque o rei apenas tinha doze pratos de ouro, interrompeu o evento e lançou-lhe como vingança um feitiço cujo resultado seria, ao picar o dedo num fuso, a morte quando a princesa atingisse a idade adulta. Porém restava o presente da 12ª fada. Assim sendo, esta suavizou a morte, transformando o maldição da princesa para cem anos de sono profundo, até que seja despertada pelo primeiro beijo oriundo de um amor verdadeiro.

O rei proibiu imediatamente qualquer tipo de fiação em todo o reino, mas em vão. Quando a princesa contava 15 anos, descobriu uma sala escondida num torreão do castelo onde encontrou uma velha a fiar. Curiosa com o fuso pediu-lhe para a deixar fiar, picando-se nesse mesmo instante. Sentiu então o grande sono que lhe foi destinado e, ao adormecer, todas as criaturas presentes no castelo adormeceram juntamente, sob o novo feitiço da 12ª fada que tinha voltado entretanto. Com o tempo, cresceu uma floresta de urzes em torno do castelo adormecido, isolando-o do mundo exterior e dando uma morte fatal e dolorosa nos espinhos a quem tentasse entrar. Assim muitos príncipes morreram em busca da tal Bela Adormecida cuja beleza era tão falada.

Após cem anos decorridos, um príncipe corajoso enfrentou a floresta de espinhos, mesmo sabendo da morte de outros tantos, e consegiu entrar no castelo. Quando encontrou o quarto onde a princesa dormia, achou tão grande a sua beleza que ficou apaixonado e não resistindo à tentação deu-lhe um beijo que a despertou a ela e a todos os habitante do reino novamente para a vida que acordaram e continuaram onde haviam parado há cem anos. O Príncipe e a Bela casaram-se secretamente e tiveram dois filhos: Aurora e Dia. Quando a mãe do príncipe (de descendência de ogros) soube disso ficou com vontade de comê-los, mas o designado para matar eles (o caçador) sempre colocava animais no lugar. A rainha, quando soube disso, ficou com tanta raiva, que, quando o príncipe saiu para caçar, ela mandou jogarem eles em um poço de cobras. Mas o príncipe chegou antes do tempo, e a rainha, que não podia mais jogá-los no poço, estava cheia de ódio e medo, pulou dentro do poço e morreu. A princesa e o príncipe, então, "viveram felizes para sempre".

  • Bruxa Onilda: a bruxa aventureira


Antes de ser conhecida pela série de televisão, Bruxa Onilda era personagem livros infantis onde contava suas aventuras à suas primas: Beth e Lavínia. Divertida e conselheira, seus livros eram encantadores - eu adorava.




  • Morgana: a bruxa do Castelo
Morgana Astrobaldo
Stradivarius Victorius, ou simplesmente Morgana, é moradora do Castelo Rá-tim-bum e irmã do tio Victor. Interpretada pela talentosa Rosi Campos, possuia seu quarto na torre mais alta. Estava sempre em companhia de sua gralha Adelaide e contava histórias com contexto histórico, usando sempre objetos cotidianos para retratá-las. É uma personagem ao mesmo tempo rígida e espirituosa, de modo que todos os moradores ou visitantes do castelo tem
por ela carinho e temor.


  • Dona Clotilde: A bruxa do 71

Tá certo que ela não é nenhuma bruxa, mas seria impossível finalizar este post sem mencioná-la. A vila do Chaves não seria a mesma sem ela. Interpretada por Madrileña Angeline Fernandez, Clotilde era apaixonada pelo Seu Madruga - tentando sempre ganhá-lo pela barriga com seus quitutes - e um dos motivos para os estados paralisantes do Chaves. Dona do cãozinho Satanás, que ela insistia em chamar, deixando as crianças da vila mortas de medo.




Com certeza uma infinidade de bruxas conhecidas não foram citadas aqui. Sejam elas boas ou malvadas, fizeram parte importante da nossa infância.

Alguém lembra de mais alguma?

A palavra cabalística para finalizar este post não poderia ser outra:

Parangaricotirimirruaro! :D


Referências:

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Folia de Reis - Exposição "Máscaras"

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Já faz algum tempo que penso em escrever um post sobre essa festa. A Folia de Reis fez parte da minha infância e isso já seria motivo suficiente para falar dela aqui.
Esta semana, saindo da faculdade, resolvi entrar na Galeria Cândido Portinari (UERJ) e dar uma olhada na exposição Máscaras que estava sendo anunciada há algum tempo. Para minha surpresa o tema das máscaras escolhidas era o próprio: Folia de Reis.
Logo de cara percebi que a folia que eu conhecia não era exatamente igual (ou a minha memória distorceu algumas coisas - o que não é impossível). Na que eu assistia não havia tanta variedade de instrumentos e os mascarados eram na verdade bate-bolas. Admito que não conhecia tanto de Folia de Reis. Assistia sempre o início da folia e os foliões não entravam nas casas da minha rua.


A Folia de Reis procura reproduzir a viagem que os três Reis Magos - Gaspar, Baltasar e Melquior - fizeram, segundo a tradição cristã, ao local onde nasceu Jesus. O festejo acontece entre 25 de Dezembro e 6 de Janeiro (Dia de Reis).

"Em geral, as Folias de Reis originam-se de promessas religiosas dedicadas aos Reis Magos, como forma de retribuição por benefícios e graças alcançados (...) Diz-se que, uma vez a folia criada, deve manter-se obrigatoriamente em atividade por sete anos consecutivos"

É composta por diversos símbolos e deve seguir um ritual.

A bandeira deve ser levada à frente da Folia, carregada geralmente por uma mulher, a bandeireira. É uma espécie de estandarte, decorada com flores, fitas e enfeites natalinos, e possui grande valor simbólico dentro do festejo.


A música inicia a folia - tocada por tamborins, tambores, surdo, viola, triângulo, violão, acordeão e outros - segue até as casas dos devotos. A bandeira é transferida ao dono da casa, que a leva ao interior da residência, seguido pelos foliões, que narram em forma de verso a anunciação do nascimento de Jesus, a viagem dos Reis Magos e demais episódios bíblicos.
Os palhaços (mascarados, bastião ou boneco) possuem diversos simbolismos, dependendo do local onde a Folia acontece. Ao sul de Minas Gerais, o palhaço simboliza os Reis magos:

(...) "os palhaços vêm à frente, ladeando a bandeira, a anunciá-la aos donos das casas (...) Os palhaços são, por vezes, confundidos com os próprios Reis Magos, sobretudo quando levantam a parte frontal da máscara, transformando-a em uma verdadeira coroa"
(Guilherme Porto, 1982)

No Rio de Janeiro, em geral, os palhaços simbolizam os soldados de Herodes - que teriam perseguido o menino Jesus na intenção de matá-lo -, Exu, o Diabo, ou até mesmo o próprio Herodes. Eles acompanham a Folia e, durante o início do ritual, devem esperar na rua, enquanto brincam e assustam as crianças. Estes só podem entrar após a breve refeição que se dá dentro da residência. Devem pedir licença em forma de versos, o que acontece por diversas vezes.

(Renato Caetano - Alma Negra. Friburgo-RJ)

"Eu gosto de comtemplar
Com liberdade constante
A serra sempre azulada
Onde pasta o ruminante
Ô patrão, me dá licença
Pra chegada do Gigante "
(Palhaço Gigante)


O palhaço deve divertir o público e tirar proveito das moedas que são jogadas ao chão pelos fiéis. Durante a permanência do palhaço na residência, a bandeira deve ser coberta com um pano ou retirada do local, devido a incompatibilidades rituais entre eles. Após a brincadeira, o palhaço retorna a cantoria, dessa vez fazendo agradecimentos e despedindo-se. Os fiéis reúnem-se para receber as bênçãos ofertadas por meio da bandeira e, em seguida, os foliões se despedem e seguem para a próxima casa.
Antes de saírem para a Folia, os palhaços costumam rezar, usar amuletos, louvar a bandeira e receber o passe das benzedeiras.

Além da máscara - sempre confeccionada com aparência monstruosa - usam farda feita de chitão ou farrapos, levam um cajado em forma de cobra e um chapéu enfeitado na cabeça.

Ao final das visitações, a Folia leva a bandeira ao altar de onde foi tirada. Os foliões despedem-se da bandeira ajoelhando-se diante dela. Em seguida a mesma é pousada sobre suas cabeças, benzendo-as. Os palhaços retiram as máscaras, caminham em direção a bandeira, deitando-se de bruços a frente dela. A bandeireira gira a bandeira sobre as costas dos palhaços fazendo o sinal da cruz. Neste momento do ritual os palhaços pedem perdão pela perseguição ao menino Jesus e se convertem.
A exposição ainda conta com vídeos mostrando os rituais, a cantoria dos versos - parecido com o repente - e diversas máscaras, além dos instrumentos musicais usados na Folia.
A Folia de Reis acontece em diversas comunidades do Rio e em outros lugares do Brasil. Particularmente adorei a exposição, as máscaras e os adereços. E se pudesse postaria aqui o vídeo do palhaço recitando o "repente".


A exposição "Máscaras" acontece na Galeria Cândido Portinari - UERJ (campus São Francisco Xavier) até o dia 9 de Dezembro, de segunda à sexta-feira, das 9h às 20h.


Ainda dá tempo! :D

Referências:

Máscaras - Rio de Janeiro: UERJ, DECULT, Galeria Cândido Portinari, 2011.