segunda-feira, 24 de setembro de 2012

45° Celsius

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No dia mais quente do inverno
Quando nem os passarinhos ousavam sair
Debaixo das copas das árvores
E os calangos corriam para longe do sol
Os termômetros duvidavam de sua própria medição
Como acalmar tanto suor e poeira
Que escorre e mancha o chão?
De dentro das roupas
Paletós, jalecos, calças compridas
De dentro das casas
Empresas, hospitais, ônibus que correm
Da areia da praia
Do terraço, do jardim, do quintal ensolarado
Tudo transpira - inspira e expira - calor
E por cima das cabeças de todos
Evaporam ideias, como fogo vão ardendo
Vão se desfazendo, vão evaporando, se precipitando
Invadindo a atmosfera turva,
Cheia de tudo o que há por dentro.

Leila Monteiro de Castro