terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O correr da vida me embrulha.

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O correr da vida embrulha tudo. Já dizia João Guimarães Rosa pelos sertões e veredas.
Às vezes eu me sinto assim: embrulhada pela vida, carregada como um embrulho que vai sendo chacoalhado pelo caminho. A vida vem e, sem avisar, embrulha nossas ilusões, nosso desespero, embrulha nossa realidade, e bagunça tudo. Por não embrulhá-las separadamente - estas coisas tão distintas - vão se misturando e se confundindo, embaralhando nossas emoções.
Afinal, o que é real? O que é verdadeiro? O que é fruto da nossa imaginação? Do nosso desejo de que as coisas dêem certo? Até onde podemos alimentar sonhos e ilusões antes que eles se tornem medos?
E nesse chacoalhar de embrulho eu sempre me pego pensando: por que só nos tornamos mais profundos quando há sofrimento?
Deve ser porque abre esse buraco fundo no peito...

Leila Monteiro de Castro